Os nossos dias exigem muita coragem para viver. Há tantos motivos de preocupação e tantas angústias, mesmo se, no fundo, é também belo viver neste tempo, tão cheio de esperanças de um futuro mais sereno e mais humano.
Muitos arriscam a vida, também, para defender suas idéias e sua liberdade, e não faltam exemplos luminosos de heroísmo.
O cristão é levado, igualmente, a arriscar para permanecer tal. Não será verdade, talvez, que em algumas partes da humanidade ainda existe opressão e perseguição, levando os que desejam permanecer fiéis a Cristo a viverem escondidos, como no tempo das perseguições? E, muitas vezes, quando descobertos, pagam com a vida.
Mesmo onde não se chega a tanto, há sempre uma perseguição latente: és boicotado, colocam-te mil obstáculos, és ridicularizado só porque queres viver seriamente como cristão!
Essa perseguição, entretanto, não é novidade. Desde quando Cristo foi colocado numa cruz, teve início uma longa história que já dura dois mil anos: a história dos mártires cristãos, que jamais conhecerá a palavra "fim". Ele disse: "Se perseguiram-me, perseguirão também a vós". É uma nota característica e perene da Igreja de Cristo: ela é Igreja de Mártires.

Quantos foram os Mártires?

Qual o número dos mártires? È impossível precisá-lo. Foram muitos, antes e depois de Constantino, para que a palavra de Cristo fosse salva ou não fosse dita em vão. Estavam já às portas as perseguições dos persas, que de 309 a 438 fizeram outros mártires, sob Sapor II e Baram V.
Poderíamos acrescentar aos mártires já nomeados dos três primeiros séculos, os que, no ocidente e no oriente, marcaram de maneira particular a história da cruz de Cristo, e poderiam ser propostos como modelo da sua vitória sobre o mundo pagão ou paganizante: as sete virgens da Galácia; Judite, viúva da Capadócia; Zenóbio, médico e sacerdote; Pânfilo, doutor e santo; Cassiano, humilde mestre de escola; o homem do povo Taraco e o nobre Próbo; a cortesã convertida Afra e o pobre taberneiro Teódoto de Ancira, etc.
O exemplo deles sirva-nos de estímulo a viver cristãmente a vida, usando dos bens terrenos sem perder de vista os bens celestes, orando pelos perseguidores e irradiando a alegria do Ressuscitado enquanto ainda estão no corpo mortal. Somos chamados a testemunhar o Evangelho, no calvário da doença ou entre as outras cruzes quotidianas.
Em certo sentido, a perseguição sempre esteve ativa. Seja-o também o nosso testemunho de fidelidade a Cristo e à sua Igreja.

A MEMÓRIA DOS MÁRTIRES
testemunho perene do amor de Cristo e da Igreja

"A Igreja do primeiro milênio - escreveu o Papa João Paulo II na "Tertio Millennio Adveniente" ("Ao aproximar-se do terceiro milênio" - carta apostólica sobre a preparação do Jubileu, 10.11.1994, n. 43) nasce do sangue dos mártires: 'Sanguis martyrum - semen christianorum... Ao término do segundo milênio, a Igreja tornou-se novamente Igreja de Mártires. É um testemunho que não se deve esquecer”.
Ainda na Bula de proclamação do Grande Jubileu do ano 2000 "Incarnationis mysterium" ("O mistério da Encarnação"), o Papa recorda que "a história da Igreja é uma história de santidade e de martírio... por isso a Igreja em todos os ângulos da terra deverá permanecer ancorada no testemunho dos mártires e defender ciosamente a memória deles".

Sabemos que o martírio dos primeiros Cristãos pode ser observado por dois pontos de vista:

Ponto de vista Romano: punir, dissuadir e divertir.

Ponto de vista Cristão: testemunhal e catequético.

Vejamos o período de perseguições e seus perseguidores:

Nero (64-68)

Domiciano e Trajano (81-117)

Marco Aurélio (161-170)

Sétimo Severo (193-211)

Máximo Trácio (235-238)

Décio (249-251)

Treboiano Galo (251-253)

Valeriano (253-260)

Dioclesiano e Galério (284-305)

Nestes séculos de perseguição e morte existem varias histórias de martírio, mas gostaria de relatar uma em especial, o julgamento e martírio de São Máximo:

Martírio de São Máximo, sob o império de Décio (249-251).

Máximo era um cristão da Ásia Menor, que nos é conhecido pelo documento do seu martírio. Ele denunciara-se voluntariamente como cristão, com uma atitude que a Igreja não aprovava totalmente, mas foi corajoso e superou a prova.

”O imperador Décio”, querendo expulsar e abater a lei dos cristãos emanou alguns editos para o orbe todo, nos quais intimava que todos os cristãos abandonassem o Deus vivo e verdadeiro e sacrificassem aos demônios; quem não quisesse obedecer, devia submeter-se aos suplícios.
Naquele tempo, Máximo, homem santo e fiel ao Senhor, declarou-se espontaneamente cristão: ele era um plebeu e exercia o comércio. Preso, foi levado diante do pro cônsul Ótimo, na Ásia.

O pro cônsul perguntou-lhe: "Como te chamas?”.
Ele respondeu: "Chamo-me Máximo".
Perguntou o pro cônsul: "Qual é a tua condição?"
Máximo respondeu: "Nascido livre, mas servo de Cristo".
Perguntou ainda o pro cônsul: "Quais as atividades que exerces?"
Respondeu Máximo: "Sou plebeu e vivo do meu comércio".
Disse o pro cônsul: "És cristão?"
Respondeu Máximo:” Embora pecador, sou cristão".
Disse o pro cônsul: "Não conheces os decretos dos invencíveis soberanos que foram promulgados recentemente?"
Respondeu Máximo: "Quais decretos?"
Explicou o pro cônsul: "Os que ordenam que todos os cristãos, abandonando sua vã superstição, reconheçam o verdadeiro soberano ao qual tudo é submetido, e adorem os seus deuses".
Respondeu Máximo: "Cheguei ao conhecimento do iníquo edito emanado pelo soberano deste mundo e, justamente por isso, declarei-me publicamente cristão".    O pro cônsul intimou: "Sacrifica, então, aos deuses!"
Máximo replicou: "Eu não sacrifico a não ser ao único Deus, e glorio-me de ter sacrificado a ele desde a infância".
O pro cônsul insistiu: "Sacrifica, para que sejas salvo. Se te recusares, eu te farei morrer em meio a torturas de todos os gêneros".
Máximo respondeu: "É justamente o que sempre desejei: é por isso, de fato, que me declarei cristão, para obter finalmente a vida eterna, logo que for libertado desta mísera existência temporal".
O pro cônsul, então, fê-lo bater com varas e, enquanto era vergastado, dizia-lhe: "Sacrifica, Máximo, para libertar-te destes tormentos horrorosos".
Máximo respondeu: "Não são tormentos, mas unções que me são infligidas por amor de nosso senhor Jesus Cristo. Se afastar-me dos preceitos do meu Senhor, nos quais fui instruído por meio do seu evangelho, então sim, estarão esperando-me os verdadeiros e perpétuos tormentos da eternidade".
O pro cônsul fê-lo colocar, então, no cavalete e, enquanto era torturado, dizia-lhe insistentemente: "Arrepende-te da tua loucura, miserável, e sacrifica, para salvar a tua vida!"
Máximo respondeu: "Só se não sacrificar, salvarei a minha vida; mas se sacrificar, seguramente a perderei. Nem as varas, nem os ganchos, nem o fogo me produzirão dor, porque vive em mim a graça de Deus, que me salvará eternamente com as orações de todos os santos que, lutando neste gênero de combate, superaram a vossa loucura e nos deixaram nobres exemplos de valor".
Depois destas palavras, o pro cônsul pronunciou a sentença contra ele, dizendo: "A divina clemência ordenou que, para incutir terror nos demais cristãos, seja lapidado o homem que não quiser dar o próprio assentimento às sagradas leis, que lhe impõem sacrificar à grande deusa Diana".
O atleta de Cristo foi arrastado para fora, então, pelos ministros do diabo, enquanto dava graça a Deus Pai por Jesus Cristo seu Filho, que o tinha julgado digno de superar o demônio na luta.
Levado para fora das muralhas, esmagado pelas pedras, exalou o espírito.
O servo de Deus Máximo padeceu o martírio na província da Ásia dois dias antes dos idos de maio, durante o império de Décio e o governo do pro cônsul Ótimo, reinando nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual é dada glória nos séculos dos séculos. “Amém”.

 

Os mártires, testemunhas radicais.


"Ser mártir é uma vocação. O Espírito Santo, não o juiz ou carnífice, faz os mártires, isto é, as grandes testemunhas. É o modo como cada vocação exprime uma dimensão da existência cristã que é comum a todos". É esse o fio condutor da reflexão que segue sobre a necessidade, atualidade e radicalidade do martírio e sobre a sua força de atração, sobretudo para os jovens de hoje.

 

Gostaria de terminar este trabalho com a ladainha dos Santos Mártires de nossa Igreja, que hoje existe pela infinita misericórdia de Cristo e pelo sangue dos seus mártires que deram a vida pela causa Cristã.

 

AS LADAINHAS

Nós te rendemos graças, ó Deus Pai onipotente, por ter-nos dado Irmãos, que testemunharam o próprio amor por Ti com uma vida santa, e muitos até à efusão do sangue. O seu exemplo ilumine e sustente a nossa caminhada até o dia em que chegaremos à Jerusalém celeste. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

Senhor, piedade............... Senhor, piedade.
Cristo, piedade................. Cristo, piedade.
Senhor, piedade................ Senhor, piedade.


Santa Maria Mãe de Deus e Rainha dos Mártires, ........... Roga por nós.
São José, "homem justo", esposo da Mãe de Deus e guarda de Jesus,
Santos Pedro e Paulo, mártires de Cristo, colunas e fundamento da Igreja de Roma

PAPAS MÁRTIRES

S. Calisto I, papa e mártir, guarda dos irmãos de fé aqui sepultados,
S. Ponciano, papa e mártir, condenado às minas,
S. Fabiano, papa e mártir, organizador da Igreja romana,
S. Cornélio, papa e mártir, "modelo de humildade, paciência e bondade",
S. Sisto II, papa e mártir, morto por Cristo na área destas Catacumbas,
S. Eusébio, papa e mártir, misericordioso para com os lapsos (2), necessitados de perdão

DIÁCONOS MÁRTIRES

Santos Diáconos: Januário, Magno, Vicente, Estêvão, Felicíssimo e Agapito, companheiros no martírio do Papa Sisto II

FIÉIS MÁRTIRES

S. Tarcísio, adolescente de fortes ideais e intrépido defensor da Eucaristia,
S. Cecília, jovem corajosa, que ofereceu a Cristo a própria virgindade,
S. Sótere, nobre romana, morta pela sua fidelidade ao Evangelho,
S. Polícamo, glória e decoro da Santa Igreja,
SS. Calógero e Partênio, fiéis a Cristo a ponto de perder a vida por Ele,
SS. Marcos e Marceliano, irmãos de sangue e inseparáveis no martírio,
SS. Cereal, Salústia e 21 Companheiros, defensores da fé contra a heresia novaciana (3)
SS. Mártires Gregos: Maria, Neone, Hipólito, Ádria, Paulina, Marta, Valéria, Eusébio e Marcelo, dom da Igreja Oriental ao Cemitério de São Calisto,
Santos e Santas Mártires, sepultados nas Catacumbas de São Calisto

PAPAS SANTOS

S. Antérote papa, que viveste todo o teu breve pontificado na prisão,
S. Lúcio I papa, obrigado ao exílio porque Vigário de Cristo,
S. Estêvão I papa, guarda da pureza da fé,
S. Dionísio papa, pai amorável dos irmãos em dificuldade,
S. Félix I papa, zeloso na obra da evangelização,
S. Eutiquiano papa, apóstolo da ortodoxia,
S. Caio papa, amigo dos pobres,
S. Milcíades papa, defensor da fé contra a heresia donatista (4),
S. Marcos papa, pastor da Igreja de Roma e promotor do seu calendário litúrgico,
S. Dâmaso I papa, "piedoso cultor dos Mártires",
Todos os santos Papas, que vigiais sobre "o altar de Cristo"

BISPOS SANTOS

Santos Bispos: Optato e Numidiano, evangelizadores das terras africanas,
Santos Bispos: Urbano, Laudiceu, Policarpo e Mano, continuadores da missão dos Apóstolos,
Vós todos, Santos Bispos, sepultados nas Catacumbas de São Calisto

FIÉIS SANTOS

Santos Sacerdotes, que viveram e morreram "na longa paz",
Jovens e Crianças, que quisestes conservar a vossa pureza por Cristo,
Vós, também, pecadores, convertidos à bondade do Pai, lavados no sangue de Cristo e santificados pelo Espírito Santo,
Vós todas, Almas Santas, cujo corpos repousam no cemitério de São Calisto,

SANTOS E SANTAS peregrinos às Catacumbas

Santas Brígida e Catarina da Suécia,
SS. Carlos Borromeo e Filipe Neri,
S. João Bosco e Beato Miguel Rua,
Santas Maria Mazzarello e Terezinha do Menino Jesus,
Todos os santos peregrinos às Catacumbas de São Calisto e admiradores da fé dos primeiros Cristãos ,


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ........ perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ........ ajudai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ...... tende piedade de nós.

OREMOS

Ó Deus, nosso Pai, que fecundaste com o sangue dos Mártires e abençoaste com a presença de tantos Santos o solo das Catacumbas de São Calisto, pelo luminoso exemplo de tão corajosas Testemunhas conserva-nos na fé, para que possamos recolher e degustar com alegria o fruto do seu sacrifício. Por Cristo nosso Senhor. Amém. (5)