Outro dia um protestante me dizia que os católicos não são verdadeiros cristãos, porque rezam para imagens de gesso e madeira. São como os pagãos que adoram ídolos. Como se responde a esta crítica?

 
É muito fácil, porque não passa de uma grossa confusão. Você mesmo sabe que não é para a estátua ou o quadro que você reza, mas para a pessoa de Jesus ou do santo ali representada. Nenhum católico é tão estúpido a ponto de pensar que aquele pedaço de madeira ou a imagem de papel ouve e atende a sua oração. Ele sabe muito bem que está se dirigindo a uma pessoa, que não se vê, mas que está viva na presença de Deus, e por isso escuta com benevolência os seus pedidos e agradecimentos.

 Nós não adoramos as imagens de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos e santas, mas as tratamos com respeito, como qualquer pessoa faz com o retrato de um ente querido. Quem venera uma imagem, de fato está mostrando o seu amor, confiança e gratidão à pessoa nela representada. Muitas vezes, olhando para a figura de Cristo ou de um santo, podemos rezar mais facilmente e conversar com eles sobre os problemas nossos e de todo o mundo. A imagem recorda a vida deles, os seus exemplos de amor e santidade, e ao mesmo tempo ajuda a torná-los presentes em nossa vida com sua graça e seu auxílio.

Colocar a imagem de Jesus ou de Nossa Senhora num lugar de honra em nossa casa é um gesto de fé: queremos dizer que eles são para nós as pessoas mais importantes, mais queridas. É também a expressão do desejo, cheio de esperança, que eles abençoem a nossa família.

 Tudo isso não tem nada a ver com idolatria. Mas, de fato, existem também católicos supersticiosos que atribuem um poder mágico às imagens dos santos. Tratam a imagem como se fosse o próprio santo, como uma espécie de feitiço ou amuleto, que garante por si mesmo proteção e felicidade. Dão assim pretexto às acusações dos protestantes. Na verdade, a imagem sozinha não resolve nada. Ela serve só para apoiar a nossa fé em Deus e na sua palavra. É pela fé que entramos em contato com Deus e recebemos a sua graça para viver de acordo com seus mandamentos, o único caminho de felicidade e paz.

 Quando se lê no Antigo Testamento a proibição de fazer qualquer representação de Deus, o motivo é evitar aquela falsa atitude religiosa que, em vez de respeitá-lo como Senhor de nossa vida, pretende utilizá-lo para satisfazer nossos caprichos. Mas o culto das imagens, aprovado pela Igreja, longe de cair nessa aberração, ajuda o cristão a crescer na sua fé no Deus de Jesus Cristo.